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quarta-feira, 1 de julho de 2020

O Retorno de um sumido.

Minha santa Aquerupita! Como este ano de 2020 está insuportável!!!

Acabei de me tocar que estou há mais de 6 fucking meses sem escrever no blog... PUTZ!

Neste meio tempo (meio ano, na verdade), a gente encarou: pandemia, lockdown, confirmação de extraterrestres, gafanhoto e, atualmente um furacão.



Sem contar que eu, infelizmente passei por pequenos problemas bem frustrantes, como uma suspeita de hospedar o COVID, e algumas semanas preventivas sem ver a minha filhinha.

E fui desativado do Site do Jogo Véio. Mas isso se deve a uma nova formulação de conteúdo, não foi nada pessoal. Amo todo aquele pessoal e não acho que exista algo na Terra - ou no Inferno -  que me faça mudar esse sentimento. Claro, se muita gente insistir, talvez o pessoal me recontrate. Duvido.

Mas esse lance de confinamento faz bater uma deprê...

Se você tá confortável com isso, você tá fazendo errado.


Se tem uma coisa que tem me aborrecido, é o homeoffice. Taquiopariu! Mesmo estando em casa, meu saco continua sendo apurrinhado, agora sem o auxílio de uma impressora!



Que coisa boa é você imprimir as encheções de saco! Você poe no papel, xinga, arranca uns cabelos, depois responde por e-mail que o que a pessoa quer não é no seu departamento, amassa/rasga/põe fogo nas folhas e volta à salutar produtividade!

Ah, a depressão... eu não sei porque essa coisa brota em mim tão naturalmente. Gente que eu de fato gostava já brigou comigo por "gostar de ficar triste".

Fora que o confinamento e o inverno também não ajudam, né? Foda isso!

E, considerando que eu não consigo mais divulgar o blog pelo Facebook... quem diabos vai ler essa droga de blog?

Que solidão...

quinta-feira, 14 de março de 2019

Afinal, o que é que mata?

Armas?
Videogames?
A situação da educação em um país?
A falta de um amparo governamental?
A falta de uma estrutura familiar?

Com o perdão das autoridades que parecem entender tudo sobre o assunto, os números parecem dizer mais do que as palavras:


Por favor, parem de falar bobagem. Videogames não fazem de ninguém um assassino, e eu me sinto uma prova viva disso.

Minhas condolências aos familiares e amigos daqueles jovens vítimas do Massacre de Suzano. Esse blog foi feito pra falar de games e trazer alegria e entretenimento, mas pisaram demais nos calos dos gamers, e por isso, esta postagem.

Hoje, sem muito riso. Amanhã é outro dia.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

3 ocasiões em que a vida imitou a arte (e pagamos um alto preço)

Numa outra ocasião, eu expliquei que a humanidade não aprende mesmo, por maior que seja o talo resultante do murro dado na ponta da faca. E acredito que as coisas sempre foram assim. Hoje, eu descolei um tempinho pra mostrar 3 das diversas oportunidades que a humanidade teve para ficar calada, mas abraçou uma causa e o resultado foi catastrófico.

Werther e a onda de suicídios


O alemão Johann Wolfgang von Goethe publicou em 1774 sua obra, um marco do Romantismo na Literatura Mundial. O livro conta, através de cartas escritas por Werther endereçadas a um primo, como este se apaixona perdidamente pela jovem Charlotte (ou Carlota, dependendo da tradução). Ela, por sua vez, já é prometida de um outro homem. A vida de Werther não encontra maiores significados se não o de estar sempre ao lado de Charlotte.
Vendo que seus avanços são infrutíferos, ele se afasta dela e de seu prometido, mas não resiste aos impulsos da paixão. Cada "não", cada xingamento e mesmo cada bofetada acabam aumentando ainda mais essa paixão doentia. O protagonista, não vendo saída para a situação, pede uma arma de caça emprestada do noivo de sua amada e com ela tira a própria vida.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Aqui jaz uma amizade



É engraçado como certas modas funcionam. Precisamente ontem, perdi uma amizade antiga, e devo esse favor ao Facebook. É uma linda história, até que um (ex)amigo meu meteu a colher onde não devia. Em respeito a essas duas amizades, não colocarei nomes aqui, mas a história fica.


Aliás, moça, eu tenho certeza de que você não vem mais aqui, muito antes desse bafafá. Só que essa porra desse blog é meu, e eu escrevo a desgraça que eu quiser. Se fizer o mesmo, pode deixar o link do seu blog ali nos comentários. Mas duvido. Duvido, porque eu sei que você não se importa. Se se importasse, não teria feito o papelão que fez!

Adiante? Não, atrás: foi ontem!

(Insira uma referência a Chaves aqui)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Um papo sério sobre os videogames e a violência.

Eu peço primeiramente desculpas por estar deixando de lado este blog por tanto tempo. Sou uma pessoa mais desorganizada que o normal e acho realmente um milagre alguém vir até este blog ainda. Mas se você estiver lendo isso, deixa um comentário, me liga, quem sabe não descolo um brinde pra você.

Outra coisa que eu ando adiando há algum tempo é um texto sobre a violência e os jogos de videogame. (Ou será que eu já escrevi? Cacetada essa minha longa ausência, viu?)

Em um dos episódios mais trágicos recentes, na data de ontem (26/08/2018), um jogador de videogame não aceitou sua eliminação no torneio de Madden NFL 19 (o jogo oficial de Futebol Americano da Liga) e abriu fogo contra outros participantes.

Segundo a polícia local (Jacksonville, Flórida),  o atirador foi identificado como David Katz, um jovem de 24 anos,  de Baltimore, Maryland. Ele feriu nove pessoas, matou duas e se suicidou.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Quem são nossos heróis?

Faz realmente muito tempo que ando pensando nessas coisas...
Quero, antes de tudo, deixar muito claro que este post nada tem a ver com política, até porque eu julgo este blog como apartidário e espero que ele seja assim até seu último post.

Vocês viram o filme do Cazuza? Confesso que muitas vezes me faltou estômago: um ídolo do rock nacional, idolatrado, mas sem papas na língua para se drogar e xingar a própria mãe dezenas de vezes ao longo da película. Sério mesmo? Depois de tudo que a mãe do cara faz por ele, o MELHOR que ele pode fazer é mandar ela tomar no cu?

Agora divulgam via Facebook pesquisas um tanto duvidosas:
  • Pessoas grosseiras são as mais inteligentes, diz pesquisa;
  • Falar palavrão é sintoma de Q.I. elevado, diz pesquisa;
  • Pessoas antipáticas e antissociais são intelectuais, segundo pesquisa [...]
Peraí? Não tem alguma coisa errada aí? Parece que estamos glorificando a falta de educação, a falta de empatia, o "foda-se" pelo "foda-se".

sexta-feira, 24 de março de 2017

Não às marcas




Tudo é tolerado menos as marcas, é inevitável tê-las você as consegue em todos os lugares, no café que não bebeu, na atitude idiota que tomou, na amizade que perdeu, no elogio que não recebeu. Tudo causa alguma especie de marca, mas dificilmente as pessoas se permitem entender isso.

Sim eu as tenho também, as escondo com desespero mudo pois talvez não sejam aceitas, cicatrizes são muitas vezes feias, por vezes também são uteis elas me formaram a pessoa que sou e não vou dizer se isso é bom ou ruim, não cabe a mim julgar, talvez seja as duas coisas. Talvez o mundo inteiro e todas as coisas sejam assim boas e más.

Só penso que se de alguma forma se compreendermos que todos temos essas feias cicatrizes poderíamos fazer com que elas não sejam mais tão importantes, e que finalmente possamos ter aquilo que tanto almejamos quando recusamos as marcas alheias, alguém completo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Pra que ser um idiota, se você pode ser um Terraplanista?

Sério isso?
Não pode ser. Eu devo estar sendo vítima de uma trolagem descomunal.

Felizmente, não conheci nenhum defensor dessa nova "Corrente" pessoalmente. Mas, assim que eu soube que existia isso (um grupo numeroso de idiotas que acreditam piamente que a Terra é plana), resolvi fazer a experiência e jogar as palavras "A Terra é plana" no YouTube.

Minha santa Escócia!!!
Aproximadamente 64.100 resultados!!! Mais de sessenta e quatro MIL FUCKING resultados???

O espaço virtual do planeta acabando e existem 64 mil vídeos infestando o YouTube de argumentos ridículos, infames, esdrúxulos e... francamente, só sendo um idiota.

Eu sei que vocês querem rir. Deixem-me mostrar uma coisa:

Essa eu li no Jênios
E tem mais!!!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Momento hipocrisia zero

Chamem-me de mau, mas prefiro ser sincero a portador da falsidade.

A menina de nariz empinado que nem me dava bom dia e ainda alegava ser explorada perdeu a vaga de emprego e ficou grávida. E os ex-orientadores querendo uma grande festa, um chá de bebê, em nome de tudo de bom que a menina fez. Minha presença? Muito longe disso. Já, a colega que vivia me espinafrando pelas costas finalmente conseguiu vaga na cidade onde queria. Essa festa de despedida sim, eu tive que ir.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Tay, o reflexo da delinquencia juvenil na Internet




Vocês souberam da experiência social da Microsoft?
Num belo dia, os analistas de T.I. da Microsoft do departamento de inovações não reclamavam mais da vida. A máquina de MM’s e a de cappuccino funcionavam tranquilamente, as quantias de 6 dígitos por minuto entravam na conta corrente da empresa no ritmo de sempre, enfim: tudo estava bem na empresa.

Mas um desses caras estava com problemas: ele havia comprado um cachorro para seu filho de apenas 6 anos e o cachorro não o compreendia. (Eu estou brincando, e essa história não precisa de hipérboles para ter o resultado que terá. Desculpem.)

Um dos caras do departamento de criações (ou inovações, sei lá... vocês não estão pensando que eu realmente conheço a organização deles, né?) resolveu largar essa:
- Hey, motherfockers! Por que a gente não faz um programa para interagir com os jovens internautas? Let's botá um perfil no Twitter pra ele e fazer ele ir respondendo a todos os jovens que mexerem com ele.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Dogmas da religião Capitalista




O mundo gira em torno de muitos deuses, e talvez hoje esses sejam os deuses mais amados e venerados, Chanel, Ferrari, Prada...
Não são poucos os que se curvam em reverencia...
O shopping apenas um lugar ou um santuário para aqueles que  pregam as crenças de nosso atual sistema social ?
É fácil fingir não praticar essa religião, mas então porque o consumismo parece pratica muitas vezes tão incontrolável? uma travessura feita as escondidas? O que a diferencia de um pecado?
Não falo sobre o consumismo necessário caro leitor, falo sobre o consumismo doentio aquele que é praticado como forma de preencher o vazio d'alma, aquele que tantos outros preenchem com drogas e sexo, uma forma tão doente quanto qualquer outra de tampar esse buraco que todos temos, graças a nossa sociedade cada vez mais solitária e doente.
Sim, na era da conexão o que nos falta é companhia, a solidão se apodera das vidas, e o individualismo dos relacionamentos.
Obrigado Deuses capitalistas!
Nunca foram a nós tão dedicados!
Continuem nos alimentando com bolsas, e nos permitam lhes dar nossas orações através do suor e estresse gasto por cada doleta a você dedicada.

Ouve a prece de mais uma de suas escravas  permite-me mais uma vida de objetivos materiais frios e sem proposito, lutas de egos doentias pelo carro do ano e relacionamentos cada vez mais descartáveis.

Amém.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sayonara Solitaire (o final de Chrono Crusade)


Hoje uma pessoa que eu amo foi embora.
Não houve tempo pra despedidas, nem há grandes chances de nos vermos por um longo tempo, senão pra sempre.
Deixo aqui minha homenagem, sob minhas lágrimas.
S., onde você estiver... lembre-se que eu estarei pensando em você.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

11h00 da noite, BR 116. O Pneu fura em pleno KM158 (cerca de 200m do parque da Expointer). Sem iluminação. Apenas fluxo dos carros fazendo sentido interior-capital.

Meu FIAT Uno 2007, surradinho de tantas lutas, começa a apresentar problemas maiores que os habituais: Triângulo de segurança quebrado, peças de manutenção soltas no porta-malas e, finalmente, capô que não abre. Esse último impossibilita meu acesso ao estepe.

Está ficando tarde, há cada vez menos carros no fluxo. Dou alguns telefonemas: Posto de pedágio, Polícia Rodoviária, Tele-guincho. Passaram a responsabilidade para o Guincho, que me pediu duas horas para vir ao meu encontro.

Aí meu cunhado Leonardo, o Leo, me deu a dica: "A roda do teu carro aguenta mais uns quilômetros. Vai na manha e se precisar, me liga. Vou pesquisar um socorro pra ti."

Respirei fundo e, tomado de uma coragem desesperada, me boto a andar pelo acostamento. No caminho, carros buzinam "avisando sobre o pneu furado". Ligo o pisca-alerta, os avisos diminuem.

Achei um posto na entrada de Canoas. Fechado. Mas o Biermóvel ficará bem, protegido e menos desamparado. Caminho mais uns metros... finalmente um posto aberto. Só com dois frentistas e o vigia. Um mendigo fica na volta, ele não me pede nada, mas dá pra saber o que ele quer. Um dos frentistas diz ao vigia: "Chama aquele cara que faz a mão pra ajudar o rapaz aí!"

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Fenômeno dos "Perdidos"

Oi pessoas! Oi Humanoides!

Não sei voces mas tem se tornado cada vez mais comum para mim encontrar  pessoas que se definem como "perdidas".
O que me fez pensar se tantas pessoas se definem assim deve ter algo bom... O que é bom em estar perdido?

Talvez por imensas associações literárias utilizando esta palavra o significado real quase tenha sido instinto na cabeça de tais pessoas.

Coisas como "morrer de amor de amor me perder" ou  "me perdi em seus olhos", embriagam a nossa literatura,  a ideia de se perder nesse sentido costuma ser de deixar a si e  transcender, mais é uma ideia perigosa, e esse fenômeno perdido me assusta, se perder por um momento pode ser uma ótima definição de realmente viver, porem a constância em estar perdido é preocupante.

Todos seguimos nossos caminhos é comum que as vezes nos percamos no entanto o importante é colocar um passo após o outro e seguir. Mas acontece uma coisa quando nos perdemos por muito tempo, alguma hora cansamos de caminhar, se permitir si perder pode ser o inicio do fim.

O fim de sonhos.
De projetos.
Carreira.
Relacionamentos,
e de forma mais extrema até vida.

Nossa vida é uma eterna escalada, pode ser tortuosa mas, a cada degrau avançado somos privilegiados com uma paisagem mais linda, uma visão mais ampla não apenas do que nos cerca ou de nosso interior, mas do sentido da vida, aquele conhecimento inexpressável, afinal o que são as palavras perto da essência senão definições pobres, cascas ocas, fantasmas vazios?

Se permitir perder pode ser privar-se do grande por-do-sol visto do topo, e perder o privilegio de realmente se perder em êxtase em nome da tão sonhada felicidade, ou daquela invenção de Shakespeare... O amor.

sábado, 18 de abril de 2015

Linha do horizonte





Ela chama por meu nome, posso sentir ele ecoar pelo universo na vibraçao da minha essencia.
As palavras mostram seu poder mais uma vez.
Ela me chamou de "filha da vida", náo sabia o quanto estava certa, talvez se soubesse nunca teria feito.
Por que, de alguma forma nunca fui dela.
Sempre fui de outro lugar, sempre pertenci a outra coisa, a algo que náo compriendo, sou uma eterna turista.
E minha viagem tem sido mais solitária do que desejo.




Um balé de desalinho.
O lampejo das cores ao meu redor comunicam, gritam mas seu grito ainda é indecifravel.
Meus olhos enchergam o mundo mas não como os outros.
Eles observam as teorias cosmicas a teia que liga tudo e todos no grande expetaculo do cosmo, veem o divino tanto em mim quanto no assassino a complexidade, dualidade e harmonia do universo.




A equação na queda de uma pena e o milagre divino da formula molecular da agua que tras a vida através do erro.
E isso me faz pensar...
Em que mundo estou agora?
Onde está minha familia?
Que fim levou a raça humana?


                                                   Raíra


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Conversa com uma amiga:


-Ah, Bier... as pessoas olham para o teu facebook e pensam que tu tá apaixonado. Até uma amiga minha, e deixa eu te antecipar: comprometida, me perguntou qual é a tua.
- E o que tu disse?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Good bye, 2014

Buenas, gurizada! Vamos a um freetalk.

Eu sei que não se deve comentar muito sobre essas coisas. Mas tem algo na minha cabeça que não consigo mais deixar, sem pôr pra fora:
Este foi o ano mais difícil que passei!

Felizmente, não foram poucas as pessoas envolvidas de alguma forma, direta ou indireta, de contribuir positivamente na minha melhoria, no meu bem-estar e no meu reerguer-se.

Quero dar um destaque para o meu grande amigo e também blogueiro Gabriel... e vocês todos sabem os motivos. Ele não deixou o blog morrer, mesmo mediante meus fracassos deste ano.

Mais destaques? Tem, mas prefiro ocultá-los agora.
Eu terei 2015 inteiro para agradecer por aqui ou pessoalmente.

Estou em processo de reavaliação das minhas ações e prioridades... e isso é algo bom!
Pensar nos erros é a parte mais nobre, mas também a mais difícil.

Obrigado a todos vocês que acompanharam minha jornada.
Eu sei que farei bem mais neste ano que está nascendo.

Um abração!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Capítulo 1 e Morte

A verdade é que nós não acreditávamos em nada. Bíblico, satânico, nórdico... Nós éramos a UNExS, é preciso ter mais do que estudo para se chegar até aqui. Mas agora, após os anos 2000, posso dizer pra você: é fato! O apocalipse será distribuído por quatro cavaleiros.

Não era isso que o Superintendente queria. Ele preferia céticos nas tropas. Penso até que ele nem ao menos queria ser líder da UNExS, porque, pode apostar, meu amigo, quando nós colocamos uma só das botas no território, é porque a situação não é boa.

Tivemos de interferir com um negociador em Burquina Fasso. Esse país minúsculo da África, os nativos menos colonizados veneravam uma jovem que vestia um túnica branca. A aldeia não tinha armas, mas as aldeias vizinhas diziam que era a invencível.

Estávamos a cerca de 16 km da aldeia. Nosso guia, Monsenior Desfar, um francês naturalizado, recebeu um bom pagamento para servir de intérprete. E no início, achávamos que ele estava mentindo. Os depoimentos dos nativos vizinhos eram impressionantes e sensacionalistas.
"Ele diz que a dama negra não gostou da ideia dos invasores. E num instante, todos que estavam à sua frente caíram mortos. Foi a extinção completa de um povo inimigo. Os devotos de Kali nunca usaram uma única arma, mas venceram todas as guerras."

Desfar olhava-nos com um sorriso estranho. Ele sabia que estávamos ali para buscá-la. Poucos homens, um único jipe. Nosso intérprete, um negociador, um motorista e Desfar. Saudamos os sentinelas da aldeia com a mão aberta sobre a cabeça. O país era bastante civilizado, mas a área selvagem era mais bonita. E mais perigosa. Mas já estávamos entrando na aldeia onde a dama negra nos esperava.

Desfar cumprimentou o líder em sua língua nativa. Logo, um dos líderes apontou para uma cabana. Nosso guia avisou que havia uma senhora idosa com uma doença infecciosa. Mas lá estava a nossa dama. Sem medo de ficar doente.

Aproximamo-nos cuidadosamente. Podíamos ouvir as duas conversando. Pareciam calmas. A conversa se encerrou quando a  jovem fechou os olhos da idosa e assoprou suavemente sua testa. A velhinha parecia dormir profunda e tranquilamente.

Desfar então se aproximou, fazendo sinais para nós três segui-lo. Ela olhou-nos um pouco assustada. Tinha um pé recuado. Ele começou a dizer longas frases. Ela repetiu a última palavra dele e logo estávamos todos sentados ao chão. Dois outros nativos apareceram, foram dar um fim no corpo da idosa.

Nosso intérprete ouviu Desfar e perguntou ao negociador sobre a proposta. A dama branca fez uma pausa e depois uma pergunta. Desfar falou com o intérprete, em francês. Nosso intérprete disse que nosso guia estava sendo um tanto grosseiro com relação aos valores.

Começamos a discutir. Desfar disse que ela estava irredutível, mas percebemos que ela só estava preocupada. Nosso intérprete estava cansando. Desfar, irritado, começou a gritar, em inglês pobre:
- É insuficiente! E ela quer que eu vá com vocês, já que não a entendem!
Nosso negociador desafiou Desfar a não entrar no jipe e ver se ela apelaria pela presença dele.

Ela levantou-se. E perguntou, em francês, se ia ajudar mais pessoas do que a vila oferecia. Desfar ficou surpreso e furioso. Começou a discutir com ela, elevou o tom de voz até que sua argumentação silenciou. Ela olhava nos olhos dele.
<Sim eu sei francês. E sei bem que um verme como você jamais usará o dinheiro para o benefício maior do que o seu próprio!> Traduziu nosso intérprete, minutos depois de dois nativos recolherem o corpo de Desfar. Pouco antes, os olhos da garota acenderam em um branco profundo e assustador. Desfar caiu como se tivesse sido atingido por um raio. Ela, por outro lado, virou-se subiu no jipe sem o menor remorso.

Nosso tradutor perguntou se ela queria aprender inglês. Ela disse que sim e terminou dizendo: "Appelez-moi Kali".

Kali, a morte. Pacífica, um pouco impaciente. Matou Desfar sem dificuldades emocionais, físicas ou morais.

Fim do relatório.

Seis meses depois, terroristas sequestravam um avião no Zâmbia. Tivemos de provocar algum tumulto e inserir Kali entre os reféns. Esse foi o maior azar deles.

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Conheça o episódio Zero desta saga.
Ou vc pode querer ler:
Rúbia
Cinza
Crônicas Tibianas  Cap. 1
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