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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

As Crônicas Tibianas - Cap. 78

Uma missão cumprida, novos caminhos pela frente...


Na manhã seguinte, meus irmãos e eu preparamos um banquete para nossos amigos. Fomos até a taverna e enchemos nossos copos esculpidos em madeira. Havíamos tirado o dia para comemorar. Havíamos recolhido muito dinheiro, havíamos provado nossos valores e sobrevivemos graças a esses sagrados companheiros.

As imagens dessa festa jamais me sairão da mente. Mesmo que este velho a quem você chama de Bierum Wizzard convalesça em uma cama, agonizando de dor e confundido pela esclerose, nada tirará da memória deste a satisfação daquele dia. Tratamos de dar muito trabalho aos taverneiros, além de nossos copos, enchemos a mesa com pães, carnes, mel, leite, frutas...

Druidas, por serem amantes da natureza, evitam comida de origem animal. Mas às vezes você encontra um ou outro que aceita certos presentes da natureza. Meu irmão Bierfur era um desses que abominava esse tipo de comida, Andrezinho optava por não comer carne, Sam comeu com moderação. Já, nas bebidas, Furius, Grazi e meu irmão Bierdus tomavam uma cerveja atrás da outra. Faziam comentários sobre outras tavernas e sobre os estoques de outros reinos. Eu nunca gostei de bebidas alcoólicas, mas ponderei um bom vinho. Sam, Milla e Bryan me acompanharam. Nada em exagero.

Depois, em um determinado momento, Sam Scott tirou de sua mochila uma lira, e a dedilhou suavemente. Biertrus foi até meu alojamento, passou em uma loja e voltou com uma cítara. Ele disse algo como: "Sam, me acompanhe aqui, esta melodia aprendi com os elfos..." - Ah, meus amigos, se eu pudesse descrever a suavidade que saía daqueles instrumentos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

As Crônicas Tibianas - Cap. 77

Por onde o Sol nasce

A sensação de estar cercado de inimigos sedentos pela morte adversária é indescritível. Como eu disse anteriormente, o céu parecia ter escurecido rapidamente. "Será a morte?" - eu me perguntava. Nossos ataques não tinham sincronia combinada, era tudo uma questão de ação e reação. Não havia tempo para nos comunicarmos, com exceção de alguns gritos que dávamos em direção uns dos outros.

Bierdus havia mergulhado na concentração adversária. Eu quase não o reconhecia entre os movimentos, mas ele atacava todos os que sua espada alcançava. Biertrus, Bierfur e eu estávamos cercados e ainda em combate, mas nossas reservas de combate estavam acabando. Os Strikers estavam mais preparados, eles saíram de seu quartel general destinados a acabar com os viajantes desavisados. Teria Bierdus superestimado nossas capacidades? Nove adversários? Ele esperava tantos assim? Éramos apenas quatro, um com cada vocação. Eles era mais que o dobro, ávidos por ação e pelo derramamento de nosso sangue. "Parece que você cometeu um erro mortal, Bierdus." - eu pensava.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

As Crônicas Tibianas - Cap. 76

A luta contra os Strikers

Você se lembra, meu amigo, quando eu mencionei que eles eram nove guerreiros? Pois ali estávamos, os quatro, cercados. O nervosismo tomou conta de mim, eu não consegui distinguir muito bem as vocações dos guerreiros que nos cercavam. Três deles montavam cavalos, um deles parecia ser o líder,  montava um corcel negro e começou a andar à volta de nosso grupo. Nossos ataques haviam cessado, pois a derrota parecia iminente.
Observando o grupo, vi em um cavalo de pelo dourado um homem trajando armaduras que pareciam pesadas, um cavaleiro, provavelmente. Outro parecia ser um druida, montava um cavalo negro. Outros estavam a pé. Aquele que circulava nosso perímetro finalmente tomou a palavra:

sábado, 16 de abril de 2016

As Crônicas Tibianas - Cap. 75

Os Strikers

Coberto pela luz azulada, abri meus olhos e me encontrei em uma sala de pedra toda branca. À minha frente estava um baú e mais adiante, uma porta. Desta vez, eu estava sozinho e, obviamente, minha curiosidade me atentava a saber o conteúdo do baú. Ali tinha nada menos que cem moedas de platina! Uma quantia considerável, que rapidamente fez parte de minha bagagem.

Por fim, a porta. Ao abri-la, encontrei um corredor subterrâneo. Ao lado da câmera onde eu havia enriquecido, outras três câmaras idênticas, das quais saíram Bierdus, Biertrus e Bierfur, todos sorrindo, provavelmente com um resultado muito parecido com o meu.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

As Crônicas Tibianas - Cap. 74

O Ritual

A porta, perante nós quarto, finalmente se abrira. A sala era bem iluminada, com tochas e quatro altares, todos voltados ao centro dela.

- Irmãos, parece que finalmente chegamos! Podemos preparar os rituais! - Disse Bierdus, entregando-nos pequenos pergaminhos. - Sejam rápidos! Decorem essas frases e quando as pronunciarem, pronunciem de todo o coração.

Logo, avistei o altar que tinha a figura de um livro de magia encravado em sua base. Bierdus dirigiu-se a um altar com a figura de uma espada. Biertrus, para um altar com a figura de uma besta. E Bierfur, para um altar que tinha a figura de uma maçã.

Bierfur posicionou-se por último, e estávamos todos nós de frente uns para os outros.

A iluminação da sala mudou-se, quando as chamas das tochas se multiplicaram. Era apenas o reflexo na espada reluzente de Bierdus. 

Ele havia retirado a espada de sua mochila. 
Colocou-a em cima do altar, que parecia mais iluminado.
E, corajosamente e em alto e bom som disse:

- Um Cavaleiro deve sempre confiar em sua espada!

Então o altar foi cercado por uma chama azulada, que me deixou surpreso.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As Crônicas Tibianas - Cap. 73

O Desafio de  Adrenius

Ali estávamos, os quatro. Se não tivéssemos acampado na biblioteca (e lá, perdido a noção do dia e da noite), provavelmente a exaustão teria vencido a batalha. E aí teríamos terminado nossa jornada. Mas ali se encontrava Adrenius. O monge devoto nos olhava:
- E então? De quem Netlios falava em sua obra? Ele citou o nome de uma pessoa. Quero saber a idade dele, o destino e em quanto tempo sua jornada foi concluída.
Coloquei a mão na testa. Eu havia lido a obra de Netlios com meus irmãos. Não com a paixão que os livros normalmente trazem, mas com a paixão pela utilidade, por meus irmãos... Eu não poderia decepcioná-los:
-  O primeiro aventureiro se chamava Anaso. Ele tinha quarenta e um anos. Ele não concluiu a jornada, ele foi morto por uma ursa. Ao todo, foram cento e dezessete dias até seu fim.

domingo, 27 de abril de 2014

As Crônicas Tibianas - Cap.72

Conhecendo a Biblioteca de Jakundaf

Mãos e tochas acesas! Subimos a escada espantando a escuridão. Nos deparamos com uma nova porta. Dessa vez, eu mesmo abaixei a maçaneta. Sem sucesso.
- Biertrus, a chave. Use a chave que encontrou no livro! - exclamei.
Ansiosos, aguardamos pela abertura da porta, mas Biertrus não conseguiu abri-la.
- Eu tento! - Disse Bierdus. Eu senti um tom de arrogância em sua voz, mas eu poderia estar errado, depois da conversa que tivemos. Talvez fosse o jeito de ele lidar com as pessoas. Mas na ocasião, aquilo escapuliu de minha mente.

- Nada feito! A maldita chave não se ajusta à maçaneta. - Lamentou ele.
- Que tal voltarmos por onde viemos? - Sugeriu Bierfur.

Olhamos uns para os outros, mas o que mais poderíamos fazer? A porta era maciça para se abrir à força. Tinha outro jeito? Olhamos para a porta que nos  separava do inferno. E por azar, havia nos cantos mais sinistros da caverna aberturas de onde novos Demônios do Fogo já haviam visto os corpos dos irmãos, uniram-se aos restantes e agora queriam queimar os nossos corpos.

Ah, Sam, que sorte a minha! Leitura da Pedra Rúnica de Gelo, uma após outra, e os malditos, que já estavam conjurando uma grande magia de fogo, reagiam com aparente dor. Sim, eu queria congelar-lhes as almas! Biertrus jogava flecha atrás de flecha com seu arco, sem dificuldade em acertá-los. A passagem foi rápida, pois naquele momento sabíamos o caminho. Como Biertrus parecia ser o mais hábil, formamos uma parede com nossos livros de magia (Bierfur e eu) e com o escudo de Bierdus. Logo, Biertrus conseguiu nos resgatar do buraco por onde entramos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap.71


A coleção literária de Adrenius

O chão da caverna era plano, parecia mesmo que alguém havia cavado aquele lugar todo para que pudesse viver ali. Fixemos a formação de combate montada por Bierdus. As estruturas eram suportadas por talas largas de madeira.

- Parece um trabalho de anos, irmãos. - comentou Bierdus.

- Sim, eu já havia reparado nessa tentativa arquitetônica. Mas não parece finalizado. Por que ele não terminou de construir esse templo? - Questionei.
- Algo deve ter saído muito errado... um templo de adoração a Fafnar... chamaria atenção de que criaturas?

Tão logo Bierdus perguntara isso, as paredes escuras receberam luz em demasia. Os corredores, que primeiramente eram apertados, agora eram largos, mas não havia muito chão a se pisar. Pareciam pontes feitas de terra. Abaixo de nós, magma em movimento.

A base onde pisávamos não me parecia muito firme, mas provavelmente fora impressão minha, pois o magma dava-me vertigens, os outros pareciam seguir em frente e ficando cada vez menores.

Repentinamente, Bierfur veio até mim. Seus lábios se mexiam. A luz parecia mais fraca e as imagens cada vez mais afastadas de mim. Foi quando senti o calor nos ombros e entendia o que estava acontecendo: Demônios do Fogo haviam nos cercado há tempos, mas eu não havia me dado conta! Bierfur havia jogado uma magia sobre mim para diminuir os danos de fogo, era o que ele estava falando enquanto eu não o ouvia. 

Bierdus tentava aparar todos os ataques com seu escudo. Biertrus, sacou de sua mochila uma aljava com flechas congeladas. E de lá começou a dar-lhes uma chuva de flechas geladas, das quais os demônios pareciam reagir com muita dor. Bierfur levantou-se, virou-se para dois deles e desferiu uma onda de gelo. E eu, ainda atordoado, desferi um Chicote de raios, mas na direção não desejada, chegando a acertar o grupo.

Bierdus, jogado ao chão começou a gritar:
- Bierum, não participe desse combate! Pega aqui essa chave! - dizia ele tirando a chave de dentro de um livro - No fim desse corredor tem um quarto. Corra para lá e abra a porta! - Ele segurou mais um raio deferido por um dos demônios. - Depressa!

Corri o máximo que pude ao fim do corredor. Em frente à porta havia mais um Demônio do Fogo. Apontei meu cajado e dei-lhe uma rajada de raio, mas ele não esboçou reação de grande desagrado. Foi então que lembrei das pedras rúnicas que Sam Scott havia me preparado. Tirei duas de minha mochila e as li o mais rápido que pude.

Ah, Sam, como eu lhe agradeço! Um raio maciço de gelo saiu da pedra e acertou dolorosamente o Demônio de Fogo, agora visivelmente abalado. A primeira pedra ainda tinha carga. Joguei mais um raio e meu adversário caiu sem vida a meus pés. Coloquei a chave na porta e a abri. Mas nada de os rapazes chegarem. Resolvi voltar, lembrando que eu tinha pedras rúnicas suficientes para mais combates.

De volta ao corredor, Biertrus mostrava-se um excelente arqueiro. Bierdus matava os poucos que ousavam se aproximar. Bierfur curava os dois e, quando tinha oportunidade, lançava magias de gelo. Era hora de pagar minha dívida com o grupo! Li mais uma das pedras que estavam em minhas mãos e atingi todos os Demônios que eu havia visto.

Os restantes recuaram para suas cavernas. Ficamos todos parados, nos olhando, suados pelo magma somado ao combate.

- Desculpem-me, rapazes! - eu disse.
- Abriste a porta? - perguntou Bierdus.
- Sim, está destrancada.
- Tu deverias ter nos aguardado lá! - Irritou-se meu irmão, quando então Bierfur tomou voz:
- Olha, meu irmão... embora eu saiba que o resultado dessa luta não seria diferente, devemos reconhecer que Bierum nos ajudou e nos poupou tempo. E esses Demônios não demorarão a contra-atacar, portanto, vamos parar de perder tempo?

Chegamos à biblioteca e Bierfur e eu acendemos nossas mãos.
- Estamos procurando pelo quê, mesmo? - Perguntei.
- A coleção de 6 livros de Netlios. Esses livros pertencem ao monge, mas falta-nos algumas respostas. Precisamos achá-los. - Respondeu Bierdus, acendendo uma tocha que trouxera em sua mochila e jogou outra, já incandescente para Bierturs.

Assim, nos separamos ao longo dos corredores. Era uma imensa biblioteca. Felizmente éramos os últimos seres com vida ali. 

- Encontrei algo! - Exclamou Bierfur.
- É a coleção? - perguntou Bierdus.
- Não, é um botão no chão. - Respondeu Bierfur.
- Não o pise! Estou a caminho! - Gritei.

Fui até a primeira luz que achei, era Biertrus.
- Vamos! - disse ele, que também esteve confundido.

Chegamos e começamos a observar um bloco de pedra destacado no chão. Biertrus chegou a deitar a cabeça no hão para ver se descobria algo. Bierdus então chegou.
- Quem pisará nele?
- Eu faço! - me voluntariei. E assim que pisei, nem ao menos um som foi ouvido.
- Chame-nos quando avistar algo com o nome de Netlios! - disse Bierdus a Bierfur. E fui atrás dele.

Assim que passamos à próxima pilastra da biblioteca, chamei Bierdus.
- Já chega, meu irmão!
- O que foi?
- Chamo sua atenção para o esforço desse grupo! Estão todos fazendo o que podem, mas temos um integrante mandão, que nunca parece de bom humor e e]tem desmoralizado o restante de nós!
- Como ousas...
- Como ousa você!? - eu o interrompi - Onde está a honra e a humildade de um cavaleiro! Eu já briguei com Biertrus uma vez, porque esse insinuou que sua vida era fácil. Esta era a oportunidade perfeita para provar que ele estava errado, mas parece que ele não estava. Pois o que vejo é você andando de um lado ao outro sem a menor paciência com os demais. Achei que éramos um grupo unido!

Bierdus não disse uma palavra, mas assim que passei à próxima prateleira, retirei um livro e pude vê-lo cabisbaixo.

- Achei! - Exclamou Biertrus.
- São os livros? - Gritou Biertrus.
- Sim! Os volumes I, II, III e V.

Corremos até lá.
- Excelente, Biertrus! - Disse Bierdus. - veja que os lugares desses dois livros que faltam estão marcados. Encaixaremos os livros assim que respondermos às perguntas que Adrenius deixou em seu livro: Quem eram os cinco aventureiros de Netlios; Quais suas idades; Como encerraram suas aventuras; E por quanto tempo se aventuraram.

Não sei dizer quanto tempo se passou, mas queimamos mais tochas, acendemos mais mãos e fizemos duas refeições estudando a coleção de Netlios. Estávamos prontos para a volta. Colocamos os livros no ponto em que eles estavam demarcados. Foi então que ouvimos um som suspeito, partia do ponto onde estava o botão encontrado por Bierfur antes. Nos dirigimos para lá para saber o que ocorrera...

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Episódio anterior aqui.

domingo, 15 de setembro de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap.70

Uma conversa com o monge

- Eu irei na frente, com meu escudo. Bierfur e Bierum atrás de mim, quero luz e magias preparadas para o que vier. Biertrus, mão no arco e outra na aljava.

Descemos as escadas de pedra, rumo à escuridão. O corredor não era muito largo, levou-nos logo a uma porta de madeira bastante maciça.

- Anda logo, Bierdus! Atravessa essa porta com sua espada. O fio deve servir... - Sugeriu Biertrus.
- O quê? Ficaste maluco? Um cavaleiro não saca a espada sem ter um motivo digno de tal ato. - Respondeu Bierdus.
- Acalmem-se. Ao invés de reclamarmos, porque não experimentamos pressionar a maçaneta para baixo e empurrar a porta? - Sugeri.

Irritado, Bierdus empurrou a porta. estávamos dentro de uma sala com uma enorme mesa e várias pilastras e tochas nas paredes. Lá estava um monge em vestes negras. Ele aparentava muita calma e não nos disse uma só palavra.

Biertrus e Bierdus se aproximaram, deixando-nos para trás.
- Você é Adrenius, devoto de Fafnar? - Perguntou Biertrus.
Ele nada disse.
- Creio que estás sendo rude com ele. Deixe-o comigo. - O monge se afastava, enquanto Bierdus se preparava. - Olá, monge. Eu o saúdo.
- E Fafnar nos zela. O que querem aqui?
- Somos viajantes. Viemos descobrir o segredo da velha Biblioteca de Jakundaf.
- De que adianta? Muitos já tentaram, mas não voltam vivos... ou, por acaso, vieram testar suas vocações naquele que antes era meu templo?
- Na verdade, é justamente isso... - eu dizia, mas fui interrompido.
- Testar vocações? Não, não... Vês aqueles dois que se vestem como magos? - Disse Bierdus apontando para Bierfur e eu. - Serão vassalos de Fafnar!

Nessa hora comecei a pensar angustiadamente em  todos os livros que eu lera até ali acerca dos deuses... lembrei-me de Estrella, na Ilha do Destino ensinando-me sobre as Divindades que construíram nosso mundo. Lembrei-me claramente da deusa Fafnar, enciumada pela beleza de Bastesh, arranhou-lhe o rosto e pôs-se a fugir de Suon, que a perseguia após esse ato. Bastesh tornou-se o Oceano Tibiano. Suon, a noite. E Fafnar tornou-se o Sol Tibiano.

Eu poderia estar em maus lençóis, mas temos de ser firmes nessas horas. Provações... quem não as teve? Anos vivendo no Continente e já era hora de mostrar porque os magos têm fama de sábios...

- Ah! Devotos de Fafnar? Vejamos... Quem é Fardos? Me diga você, que veste a toga preta. - Disse o sacerdote apontando para mim.
- Fardos é um dos Bons Criadores. O pai de nossa honorável Fafnar, filha do fogo.
Os quatro olharam para mim surpresos.
- Está bem... - prosseguiu o sacerdote - ...se vocês quatro não vieram até aqui atrás do ritual das vocações, por quais demônios estão aqui? Vieram prestar respeito grandeza de Fafnar? -  e foi então que Bierfur tomou voz:
- Li seus livros! Você é Adrenius, aquele que escreveu uma crítica literária sobre os aventureiros e o sentido da jornada.
- Sim. E para aqueles que me trouxerem a resposta, será-lhes revelado meu tesouro. - o monge agora parecia ter se agradado - Não precisam mentir para mim, a verdade é que nunca vi um um grupo que realmente entendesse...
- Entendesse sobre o quê? - Questionei.
- Sobre o sentido da vida tibiana...
- Temos algo para ti... - disse Bierdus - mas só podemos entregar se nos revelar onde está sua biblioteca, se o que tu construíste for real.
- Ao norte e ao leste, senhores. Lá encontrarão minha biblioteca, abaixo de cinco pedras. Se são mesmo dignos do tesouro, terão parte dele.

Deixamos o templo e continuamos a jornada.
- Não deve ser longe. - Divaguei.
- Penso que esse monge era astuto, mas perdeu sua fé na humanidade. - Comentou Bierdus.
- Pudera, Bierdus. - disse o irmão Bierfur - Com essa natureza violenta e nociva, ferindo semelhantes e criaturas inferiores. O homem não respeita nada, é natural que se perca a fé.
- Eu discordo! - Pronunciou-se por último Biertrus - Um homem que perde sua fé, seja no que for, nunca a teve realmente.

Mudei de assunto, para que outra discussão não se fizesse:
- Bierdus, como foi que você soube desse monge e desse ritual?
- Ah, foi quando Bierfur me chamou para mostrar-me dois livros que encontrara, em uma biblioteca de Thais.
- E então?
- Dentro de um desses livros Biertrus encontrou uma chave antiga e uma anotação. Essa anotação era uma referência a uma carta escrita pelo próprio Adrenius abrindo mão da vida em sociedade, construindo um templo e uma biblioteca subterrânea. O resto, o povo das cidades principais já soubera e nos contara. Por isso estás aqui conosco.
- Porque esse riual...
- Exatamente, exige que haja quatro aventureiros de estilos diferentes... e com visões diferentes sobre a vida.

Biertrus caminhava na frente e ergueu seu braço.
- Irmãos, aqui tem 5 pedras. Creio que no centro delas está a entrada que tanto procurávamos.

Biertrus tirou da mochila uma picareta e começou a bater no chão. Bierdus pegou uma pá em sua mochila e começava a jogar a areia para longe da abertura.
- Acenda sua mão novamente, Bierum! Nós vamos descer!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap. 69

A caminhada pelo Deserto de Jakundaf
 
O sol não havia se posto ainda, e Biertrus havia finalmente voltado. Bierfur havia dormido, mas acordou-se com a chegada de nosso irmão. Eu não cheguei a tocar no sono, mas havia descansado o suficiente.

- Estais prontos, então? - Perguntou de forma autoritária Bierdus.
- Sim, estou. - Respondi.
- Hummahhh... vamos... - Disse o sonolento Bierfur.
- Desculpem pela demora. - Disse Biertrus.

E então os quatro viajantes desfilavam pelos corredores estreitos de Venore, rumo ao Deserto. Ao descer das escadas, levantou-se possibilidades...
- Vêem aquela moça? Seu nome é Appaloosa, ela treina e aluga montarias. - contou-nos Bierdus. - O que vocês pensam sobre alugarmos 4 para chegarmos em breve?
- Bem... - divaguei.
- Não vejo porque não. - Disse Biertrus.
- Nem pensar! - Disse Bierfur.

- Qual o problema? - Indagou, de certo modo irritado, Bierdus. - Se três de nós não vêem problema...
- Diga por você. - Interrompi.
- O que foi agora? - Indagou novamente Bierdus.
- Pense comigo: Bierfur é um Druida, creio que ele considere usar cavalos como montaria uma espécie de crueldade. E convenhamos que não temos pressa, não? Se tivéssemos, teríamos saído mais cedo.
- Mas se nós três fomos favoráveis...
- Não... você e Biertrus foram. Eu nada disse. Além do mais, ao chegarmos lá a pé, a noite já terá caído e o deserto não será tão desagradável, como você mesmo falou. E foi sábio.

Bierdus não tinha mais argumentações. O silêncio reinou por mais algumas passadas. E essa tensão silenciosa poderia pôr nossa jornada em risco.

- Bierfur, como você soube desse ritual? - Perguntei, crendo que os interesses do grupo centrariam-se em Bierfur.
- Foi um acidente. Eu estava fugindo de um grupo de Minotauros de diversas classes que acampavam próximo das Planícies do Sofrimento. Cruzei com um valente cavaleiro que me ajudou a vencê-los, e tirei-lhe o veneno do corpo, por foi picado por uma Aranha Gigante. Ele me entregou um livro que falava sobre um sacerdote que havia se isolado do mundo que o cercava...
- Também conheci um desses,... - comentei - e por coincidência, foi em um templo quase abandonado nessas mesmas planícies...
- Mas esse não havia se isolado em um templo, mas sim em um buraco no meio do deserto. Bem, como eu dizia... esse amigo chamava a si mesmo de Arcanjo. Ele me disse que o homem passou o resto da vida construindo uma morada e um templo em devoção à Deusa Fafnar. Porém, com o passar do tempo, monstros passaram a ocupar o local. Querem sabero que é ironico? Fafnar é a razão pelo qual existem dias e noites em nosso mundo. E muitos desses monstros eram Demônios do Fogo!
- Prossiga.
- O que acontece é que esse Cavaleiro me contava tudo, enquanto eu estava incrédulo sobre os fatos. Então, ele me entregou um livro do próprio sacerdote. Era uma Crítica sobre a composição de Netlios. Esse livro foi escrito pelo sacerdote Adrenius, falava sobre uma coleção de livros escrita por Netlios, que tinha depoimentos de aventureiros. Porém, Adrenius entra em uma crise existencial, e espera pela resposta certa sobre isso.
- Complicado...
- Eu que o diga. Arcanjo me disse que Adrenius fez uma biblioteca dentro de seu "templo", abaixo do Deserto. E que essa "Crítica Literária à obra de Netlios" foi arrancada das prateleiras de lá.
- Então, o que estamos fazendo é...
- ...estamos indo encontrar Adrenius. Ele ainda vive abaixo do Deserto de Jakundaf. Aliás, você sabia que esse é o nome do Deserto de Venore?
- Agora estou sabendo, irmão.

O dia havia se tornado noite e a grama havia se tornado areia. Cobras vieram em nossa direção, mas Bierdus decaptou todas com sua espada.
- Encontro-me com fome, irmãos. - Ele dizia, limpando o sangue da espada.
- Vamos parar um pouco e fazer um descanso. - Decidi.

Abri um pacote com pão. Bierfur e eu começamos a comer. Biertrus e Bierdus não. Biertrus, sem dizer muito, caminhou até longe do alcance de nossa visão. Ele voltou logo depois, com um saco carregado. Abriu e jogou alguns ossos, carregados de carne na fogueira.
- Esse cheio... carne de Leão? - Perguntou Bierdus.
- Sim. - Respondeu Biertrus. - Para quem não é vegetariano. Quem mais quer?


Bierfur não fez boas feições sobre isso, mas não nos perturbou. Quanto a mim, embora entendesse seus sentimentos, resolvi comer um pouco de carne. Acampamos por uma hora e decidimos levantar. Pernas descansadas, barriga cheia e rumamos ao sul do Deserto.

Passados mais alguns minutos, Bierfur tropeçou em uma pedra. Acendi a palma da minha mão para analisá-la. Havia mais pedras ali, cobertas pela areia.
- Parecem um sinal... - comentei.
- Uma demarcação. Esta é uma entrada, essas pedras marcam um local. Quem está com a Pá?
- Eu estou. - Disse Bierdus, já puxando a ferramenta da mochila e encravando-a entre as pedras.

O buraco estava escuro. Coloquei a mão iluminada na proximidade dele, não enxergamos o fundo. Olhamo-nos e decidimos não arriscar.

- Vamos mais ao Sul. Vamos ver se encontramos esse tal sacerdote que Bierfur tanto falou. - Decidiu Bierdus.

Continuamos andando ao Sul e mais pedras apareceram no horizonte. Dessa vez, Bierfur disse algumas palavras mágicas e o vento abriu uma clareira. Estávamos acima de um piso de pedra regular, era a entrada de um templo subterrâneo. Uma das pedras do piso estava solta. Toquei nela com meu cajado e, ela se soltou, afundou lentamente. Foi aí que eu disse, surpreso:

- Acho que isso é...
- ...uma escada! - exclamou Bierdus - Vamos!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap. 68

Um presente de Sam Scott

Ainda naquela manhã, estávamos todos prontos. Bierfur, disse para irmos até o mercado, onde deveríamos comprar pá, cordas, um livro de magia, uma Espada de ferro e uma Besta. Em princípio, pensei em usar meu primeiro livro de magia, que substituí por um escudo por alguns anos. Mais tarde, Grazi havia me presenteado com um livro de magia mais avançado, o qual eu usava, mas estava descartado de ser usado fazer o ritual. Era um presente. Eu não estava bem com Grazi, mas isso não significa que ela perdera seu valor para mim.


Por fim, decidi ir até a loja de magia, sozinho, pois os outros dois irmãos foram à loja de armas. Eu tinha pá e cordas em casa, então minhas únicas preocupações eram o livro de magia e a saída repentina de Sam Scott. Grande foi a minha surpresa quando vi ninguém menos do que o próprio Scott saindo da loja, parecia com dificuldade em carregar a mochila.

- Sam, o que está fazendo?
- Ah, mestre. Bom reencontrá-lo. Comprei um presente para o senhor, já que irá a uma jornada na qual não poderá contar comigo...
- Agradeço, mas você acha mesmo que será necessá...- emudeci, porque ouvi palavras mágicas. Após isso uma dor imensa se deu em meu corpo.

Na porta da loja de magia, estava um mago. Ao seu lado, um Orc Guerreiro, que veio em minha direção. Sam também fora abatido pelo raio que me atingira. Minha visão ficou turva. O Orc me alcançou e com seu machado, que arranhou a capa do meu livro de magia e me jogou para trás. Fiquei indeciso quanto ao que fazer, pois o Orc e o mago me atacavam simultaneamente.

Raízes brotaram entre as pedras do piso, atravessaram o Orc e ele caiu no chão sem vida. Sam havia acabado de proferir suas palavras mágicas, a natureza havia se manifestado em favor dele. O mago recuou, mas Sam tirou da mochila uma runa e a leu rapidamente. Uma bola de energia branca voou em direção ao mago e suas pernas congelaram. Ele leu uma runa cinzenta e um raio negro acertou Scott, que dessa vez estava bem mais atordoado. Irritado e com ódio digno de um demônio, desferi uma onda de raio incrivelmente forte. Sam bebeu uma garrafa com poção de cura. O mago também bebeu uma poção, mas de magia e começou novamente a fazer uma conjuração.

Agora era um demônio de fogo, mas Sam o eliminou com mais uma daquelas esferas de gelo.
- Seus covardes! - Gritou o mago.
- Palavras muito atrevidas de quem atacou duas pessoas pelas costas! - Gritou Sam, da maneira que eu nunca havia ouvido. - Tome isso! Dizendo essas palavras, Scott leu uma runa cinza, com uma caveira encravada.Uma nuvem negra entrou pela boa e pelo nariz do mago e ele desabou, sem vida, abaixo da entrada da loja de magia.

- Scott... - eu disse sem fôlego.
- Você está bem, mestre? - Ele perguntou, ofegante. Eu sei que você reprovaria isso...
- Ao contrário, Scott. Você salvou minha vida. E estou orgulhoso da maneira com a qual lutou.
- Obrigado, mestre. Vamos até meu aposento.
- Sou eu quem lhe deve agradecimentos, meu amigo.

Na casa de Sam, ele abriu a mochila e dela tirou várias runas.
- Eu li que, na caverna onde fará o Ritual existem vário tipos de criaturas. Então coloquei todo o meu poder mágico nessas runas. Porém, não foram muitas, por isso fui até a loja comprar mais algumas.
- Sam, eu não quero decepcioná-lo, mas você não vai até lá.
- Ah, mestre... o senhor entendeu errado. Eu as fiz e as comprei para o senhor!
- Sam, eu não posso...
- Ah, o senhor vai aceitar, sim. Já tem o livro de magia?
- Não, meu amigo. Com o ataque daquele mago, tentando nos saquear, esqueci de comprar. Bierfur disse que um livro de magia básica já serviria.
- Mestre, quero que faça o ritual com o meu livro, neste caso.
- Scott... um livro de magia básica custa tão pouco. E possivelmente o livro não volte.
- Bem... o ritual é único, não é? Quero dizer... uma vez que você o faça, não poderá desfazê-lo, nem refazê-lo. Esse ritual é uma afirmação de que os deuses estão ao seu lado para que você siga a sua vida com a sua vocação, certo?
- Sim, acredito que seja isso mesmo.
- Então, já que eu não serei o Druida do seu ritual, aceite o livro e será uma honra fazer parte disso tudo.

Finalmente eu havia entendido Sam Scott. Ele não estava abalado por eu não levá-lo junto, mas estava me dando total apoio para que eu tivesse sucesso no ritual.
- Obrigado, Sam. Esse livro vale muito para mim.
- Valerá assim que o aceitá-lo.

E então, voltei até meu cômodo do Palácio de Papel. Dois de meus irmãos já me esperavam.
- Partiremos hoje à tarde, não? - Perguntei entrando.
- Não mais, - respondeu Bierfur - vamos esperar que o Sol enfraqueça. É o melhor modo de encararmos uma viagem pelo deserto.
- Porque não me disse isso antes?
- Você sabe como é difícil fazer seu irmão Bierdus mudar de ideia?
- E Biertrus, onde está?
- Ainda não voltou. Mas sugiro que descanse enquanto ele não chega. Ao final da tarde, partiremos.


Com isso, deitei-me em minha cama e aguardei. Bierdus deitou-se no chão, usando a mochila como travesseiro.
- Bierum, estás dormindo?
- Não, meu irmão.
- Tu deves. Nosso dia ainda será longo.

E faço do conselho de meu irmão, meu conselho a você, meu amigo. Descansemos. Logo, contarei a você uma das jornadas mais difíceis e marcantes de minha vida.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap. 67

Segredos e mistérios

A manhã havia apenas começado, mas chamei Scott e Andrezinho para que conhecessem Bierdus. Scott trouxe frutas, Andrezinho trouxe leite e mostrou orgulhosamente a mochila e um escudo novos. Explicamos então que eu ainda teria mais visitas: meu irmão Bietrus e Bierfur, esse tempo que há tempos eu não via.

- E temos planos de viajar, Bierum. Tu virás conosco. - Acrescentou Bierdus à minha explicação.
- Não estou surpreso que me peça isso. Onde vamos?
- Perdoa-me. Prefiro aguardar a chegada dos outros.

Após isso, Andrezinho e Bierdus começaram a  conversar sobre a vida de Cavaleiro. Deixei em cima de minha cama a mochila aberta e vazia. Sam Scott entrou em meu quarto.
- No que está pensando, mestre?
- Honestamente, não sei o que pensar sobre esse mistério. Porque meus irmãos estão vindo para cá? E pra onde vamos? E porque querem a mim no grupo? E ainda, o que devo levar comigo?
- É, não dá pra responder tudo isso. Quanto tempo o senhor tem?
- Sairemos ainda pela manhã.
- Bem... ponha algumas garrafas de poção mágica na mochila. Nunca são demais. Umas de cura também ajudarão.
- É, você tem razão.
- Por favor, não saia sem falar comigo. Preciso ir até meus aposentos agora.
- Tudo bem. - E Sam partiu misteriosamente.

Voltei à sala, Andrezinho estava de saída.
- Nos encontramos lá, pode deixar. - Dizia ele.
- Do que vocês estão falando? - perguntei.
- Nada importante. - Respondeu mais que prontamente. - Até mais, Bierum!
E então, ficamos novamente sozinhos, Bierdus e eu.
- Terminou seu café?
- Sim. E obrigado pelos bifes. Se me permitires, esperarei deitado pelos outros dois.
- Sem problemas.


Divagar sobre as coisas que desconheço só pioram as coisas. O tempo sempre trará as respostas, não só as que se quer, mas as necessárias. De maneira que, se não é preciso saber de algo, é melhor que não se saiba. Arrumei mantimentos do alojamento, coloquei um pouco de comida na mochila. Passou-se uma hora... duas... e finalmente as batidas ecoaram pelo alojamento. Abri a porta e ali estava: um Druida omisso em uma grande capa marrom. Sua barba era ruiva, lembrava-me muito a terra.

- Você deve ser Bierum, certo? - Falou o homem, enquanto insetos saíam de sua manga. Observei seu rosto, apesar da barba, não me parecia velho.
- E você é Bierfur?
- Isso mesmo, meu irmão. Me abrace. - Observei o homem com certa cautela, pois nunca havia visto um homem tão ligado à natureza...
- Ah, sim... você deve estar hesitante com toda essa... bem... "imagem", não? Os animaizinhos à minha volta não são agressivos, e não estou nem um pouco sujo. O aroma que sente é das flores. A cor de terra é unicamente de minha barba.
- E ele é um homem sensível! - Disse Bierdus, do quarto. - Abrace-o, logo, pois vós não vos encontra há mais de uma década.

Não sei dizer direito o que se passou pela minha cabeça. Mas, Deuses! Era meu irmão, o mais novo deles. Eu o segurei ainda quando era bebezinho. Lembrei-me instantaneamente de ter deixado os três irmãos para trás para caçar com Alys... depois para caçar com Andrezinho ainda em Rookgard. Depois de ter deixado tudo, indo rumo à Ilha do Destino... Então eu o abracei, sem remorso nem hesitação. O manto era firme e, ao mesmo tempo, macio. Parecia que ele havia tomado banho recentemente, "em alguma cachoeira, talvez..." - pensei.

- Entre, meu irmão. Este lugar sempre estará aberto a todos os meus irmãos.
- Obrigado. Já sabe ao que fomos designados?
- Eu te proíbo de que fales sobre isso até a chegada de Biertrus! - Gritou Bierdus.

E a manhã estava cessando. Próximo ao meio-dia, finalmente Biertrus chegou. Ali, já tinha entendido o pacto de não falar muito sobre caçadas em animais mais puros, pois isso ofenderia Bierfur. Já, Biertrus era um caçador nato. Acredito que os dois ficavam muito mais em contato com a natureza do que Bierdus ou eu.
- Vou deixar algumas coisas por aqui. Tudo bem? - Disse Biertrus largando em um canto uma dúzia de lanças que estavam amarradas às costas. - É que, para essa jornada, prefiro levar flechas elementais...
- Deixe-as onde quiser.
- Vamos comer e sair?
- Acho que vamos. Mas antes, preciso que me contem o que faremos.
- Não acredito. Bierdus, venha cá!

Então meus dois irmãos discutiam. Enquanto Bierfur estava com a mochila aberta em cima da mesa. "Pão élfico, tomates, laranjas, bananas, nozes... ah, não poderá faltar uvas e ameixas..." Decidi chamá-lo:
- Bierfur, meu irmão, não quero atrapalhá-lo, mas estou curioso...
- O que foi? - perguntou ele, sem tirar os olhos das coisas que fazia.
- Por que estamos aqui? E para onde vamos?
- Ah, sim... nossos irmãos não lhe contaram ainda... nossa jornada, irmão...
- Sim, sim! Para onde vamos?
- Ainda tem o seu primeiro livro de magia?
- Sim.
- Então pegue-o. Vamos até o Deserto de Venore...
- O que faremos lá?
- Ah, você não sabe o que faremos lá? O Ritual da Vocação.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

As Crônicas Tibianas - Cap. 66

Uma Busca Frustrada e um Belo Reencontro

Sam e Andrezinho haviam me dado esperanças para que alcançássemos o novo Druida. Eu estava já pensando em como treiná-lo, nas provações que lhe daria. Colocamos as mochilas às costas, empunhamos nossas armas.

- Vamos até o mercado de Venore? - Questionou Sam.
- Sim, é o melhor a fazer para conseguirmos pistas do paradeiro dele. - Respondi.

Descemos as escadas do Palácio de Papelão rumando ao mercado. Lá, por agora, era difícil ter qualquer pista dele.
- Será tolice continuarmos... - Aleguei, desistindo - ...não que eu desista do rapaz, mas beira ao impossível encontrá-lo aqui.
- Sabe, Bierum,... - disse Andrezinho - ...talvez seja melhor procurarmos na central de correios.
- Ou cartazes... ou bilhetes espalhados pela cidade... se bem que isso atrairá impostores. - Sugeria Sam Scott.
- Esqueçamos, amigos. O único problema é quando ele baterá minha porta novamente... só os Deuses sabem.
- E se você escrevesse uma carta para Alys? - Andrezinho perguntou, com a melhor das ideias que teríamos para tal situação.
- De fato. Farei isso. - Respondi. - Grato pelas ideias, amigos. Vou voltar agora.
- Vou voltar ao mercado. Quero ver o que os mercadores têm. - Disse Sam.
- Vou com você. - Andrezinho respondeu. - Pode ser que eu encontre algo de interesse.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

As Crônicas Tibianas - Cap. 65

Colocando as coisas no lugar

Leo, Raphaela e Isaah acompanharam-me na jornada até Venore. Nesse caminho, Leo e Raphaela pareciam fascinados com minhas histórias, observavam com respeito meu cajado e meu escudo. Alguns Ciclopes interromperam nossa caminhada, mas éramos quatro e estávamos prontos para eles. O Sol da tarde estava enfraquecendo, a ponte não tinha mais sinais daqueles vândalos da noite anterior.

- Estavam tentando matar quem quer que passasse pela ponte. - Comentou Isaah. - E essa é a parte ruim de ser Amazona: Eu só poderia lutar com eles de muito perto. Eram muitos, e lutavam de perto e de longe.
- Você conhecia alguém daquele grupo? - Perguntei inocentemente.
- Não... - respondeu Leo - ...o que acontece é que ela viu o que eles faziam, assim como nós também vimos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 64

Um seleto grupo de guerreiros

Eu sentia o suor à volta de meu rosto. O primeiro dos três guerreiros vestindo negro se aproximou de meu esconderijo. Eles não diziam uma única palavra. Apenas se aproximaram do Ciclope morto. Finalmente os outros dois se aproximaram do primeiro. Esse primeiro e outro sacaram suas espadas. Já o terceiro acendeu a palma da mão.

No momento em que percebi a Magia de Luz, tentei me posicionar à sombra do Ciclope morto. Um deles se aproximou e abriu o olho do Ciclope com um cajado. Outro foi mais audacioso: abriu a boca do Ciclope. O terceiro, que usava Magia da Luz começou a moldar o rosto.
"Está morto mesmo. Mas parecia estar dormindo, não é estranho?" - soou feminina a voz. "Parece." - respondeu outra voz feminina. "Você montou um rosto engraçado." - comentou ali a voz masculina do grupo, muito jovial.

- Vamos nos esconder aqui até amanhã. - Disse mais firme a voz masculina. - Aqueles guerreiros não nos verão atrás desse Ciclope.

Preparei as forças que já não sabia mais se estavam em mim. Os três, em seus mantos negros, contornaram o Ciclope e me encontraram. Acendi a palma de minha mão, apontei-lhes o Cajado e gritei:
- O que querem aqui?
- Olhem! Um velho mago! - Disse uma das vozes femininas.
- Não se aproxime dele, ele parece... - continuou outra, mas desmaiei antes de ouvir o restante.

O Sol Tibiano tocou as Planícies do Sofrimento. Eu havia acordado, sem saber o que havia acontecido. Minha cabeça estava escorada em algo macio. Eu havia adormecido na caverna, isso era certo. Mas nenhum sinal do Ciclope morto. Isso eu ainda havia observado deitado. Lembrei-me em seguida dos três que me encontraram. E num susto, levantei-me olhando para os lados. Meu susto foi ainda maior quando percebi que eu havia dormido sobre as pernas de uma das integrantes do grupo.
- Quem é você? - questionei assustado.
- Ah, finalmente acordou. Que mago dorminhoco...
- Onde estão minhas armas?
- Calma, calminha aí. Como você se chama, velho mago?
- Não sou velho! O que acontece é que estou numa jornada de dias longe de casa.
- Muito bem, muito bem... eu me chamo Raphaela. Sou uma maga, assim como você é um mago. Agora você me dirá o seu nome?
- Eu sou o mago Bierum Wizzard. Estou tentando voltar a Venore. Encontrei na Ponte um grupo de guerreiros fazendo barulho e lutando entre eles mesmos...
- Somos sobreviventes daquilo... aquele grupo nos atacou também.
- A mim não atacaram... mas...
- Você fugiu?
- Achei prudente ficar longe.
- Acho que você tinha razão.

- Então, senhorita Raphaela, quanto aos outros?
- Bem, somos todos irmãos. Estávamos indo caçar um Dragão que existe a Sul das Planícies do Sofrimento. Não contávamos com aquele grupo de vândalos. Nos escondemos aqui e o encontramos já doente. Ia mesmo lutar, se não desmaiasse?
- Preocupa-me não saber bem o que estava fazendo ontem, mas eu estava acuado. Onde estão os outros?
- Foram roubar comida dos Ciclopes. Meus irmãos querem treinar suas habilidades. Achamos que aqui seria...
- Ciclopes!!! - um grito interrompeu Raphaela.

Alguns com mãos nuas, outros com espadas curtas, vinham em um grupo de oito membros, causando um pequeno terremoto na direção de onde iam.

- Onde está o Ciclope morto? Podemos nos esconder! - Sugeri.
- Não dá! Nós o queimamos! O jeito é lutar!
- Certo.

Os dois guerreiros entraram na caverna correndo, e os oito Ciclopes estavam um pouco atrás. Saí da caverna, mas eles estavam focados nos dois alvos que corriam. Tentavam adentrar a caverna. Mas como se sabe, Ciclopes não têm inteligência em suas virtudes, tentavam entrar ao mesmo tempo e nada conseguiam. Na esperança de chamar-lhes a atenção, posicionei-me e desferi a Onda de Fogo.

Surgiu o efeito esperado! Os Ciclopes deram meia-volta e partiram em minha direção. Meus pés mal paravam no solo, já que eram oito gigantes em minha direção. Comecei a me afastar ainda de costas. Eu não poderia fazer outra Onda de Fogo, não em tão pouco espaço de tempo. Olhei novamente, eram apenas sete. Comecei a concentrar outra magia. Eram apenas seis. Joguei a magia, mais uma vez. Eram apenas quatro.

- Ajudem o velho mago! - gritou a voz masculina do grupo. 
E deixaram os os mantos negros caírem ao chão. Numa capa azul celestial, o rapaz levantou seu Cajado Draconia e incinerou a mão de um Ciclope em um salto. A garota com uma espada corria em volta de outro Ciclope e dava-lhe golpes nas mãos que não a alcançavam. Os Ciclopes foram tombando um a um. A maga Rafaela me ajudou com outra Onda de Fogo.

Por fim, os três se aproximaram novamente de mim.
- Meu nome é Leo, sou um mago! - disse o rapaz.
- E eu me chamo Isaah. Sou a amazona do grupo.
- E eu sou a maga do grupo, você já sabe! A quem chamam de Raphaela!
- Obrigado por terem me ajudado. - Respondi.

O dia ainda tinha algumas surpresas, meu amigo. Agora façamos uma pausa. Há muito a ser contado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 63

No local errado


Decidi deixar Carlin e Grazi para trás, sem saber quem estava certo, no fim daquela discussão. Andrezinho, Sam, Bryan e Mila também ficaram para trás. A noite ainda era muito escura e o caminho até Venore era longo.

Ouvi alguns passos logo no início da viagem de retorno, mas eu não estava concentrado em nada: meu único foco era alcançar Venore e deitar-me em minha cama no alojamento. 

Para se chegar a Venore é recomendável seguir pela Estrada Principal, que faz ligação entre as principais cidades do continente. No entanto, mesmo tarde da noite, vi uma movimentação estranha na Ponte de Venore. Havia alguns homens lá, seis, talvez oito, subiam e desciam da ponte trocando golpes de espada, ataques mágicos e tiros de lança. O brilho de seus ataques chegava a iluminar o céu noturno.

Assustado, parei de andar pela estrada e tomei o ponto sul como orientação. Minha caminhada pelos gramados dos campos já de Venore me levaram a uma misteriosa casa de dois andares à beira do rio. Pensei em abrir a porta, mas antes que eu me aproximasse, ouvi passos e pequenas explosões, e quando virei meus olhos para o norte, vi aqueles mesmos homens correndo em minha direção.

Se antes eu estava assustado, agora o pânico tomava conta de mim! Eu não estava em condições de lutar com um único homem, sequer pudesse imaginar em luta contra um grupo. Contornei a casa e comecei a correr, mesmo cansado. Do outro lado da casa avistei algumas árvores, o lugar era incrivelmente familiar, mas eu estava tomado pelo pânico. Adentrei a pequena floresta e ouvi risos, som de pés batendo em madeira, e então concluí que estava a salvo daquele estranho grupo que deveria ter adentrado a casa.

Sozinho na floresta, senti algo preso à minha mochila, que me impedia de andar. Usei uma das mãos, esperando sentir algum galho ou arbusto que pudesse ter se enganchado, mas, diferente disso, senti uma placa de metal afiada, prendendo a lateral da mochila. Naquela situação, meus pensamentos já estavam mais organizados, e acendi à meia-luz a palma da minha mão. E virei meu corpo como pude.

Talvez minha surpresa pudesse ser mais desagradável, mas minha mochila estava presa ao machado de um Cavaleiro-Minotauro. E, ao alastrar da luz, entendi que eu estava cercado deles, minotauros de várias classes, que pareciam ter seu acampamento acidentalmente invadido.

Na esperança que os homens na casa próxima não me percebessem, transformei o minotauro mais próximo em cinzas com uma onda de fogo que queimou outros dois. Mas minotauros-arqueiros e minotauros-magos começaram a se revelar nos arbustos, e flechas e magias passaram a ser o principal problema.

Eu consegui vencer a todos eles. O acampamento ficou vazio e encontrei algumas cenouras. Minotauros são vegetarianos. Porém, sua carne não é nada apetitosa, tive de me contentar com o pouco alimento que encontrei. As luzes da casa, por outo lado, estavam acesas. Talvez fosse minha imaginação, mas aqueles que talvez fossem desordeiros pudessem estar chegando até mim, dado o brilho de minhas magias. Rumei ao Sul, mais uma vez.

Deixei aquela floresta, e encontrei campos vastos com cavernas enormes. Sim, eram as Planícies do Sofrimento. Mas os Ciclopes não têm hábitos noturnos como têm diurnos. Comecei a andar silenciosamente. Talvez o monge do Templo pudesse me ajudar. Ou, pelo menos, eu encontraria uma montanha apara acampar.

Ao longe, ouvi ruídos que pareciam ser Ciclopes tombando. Adentrei uma das cavernas e matei um Ciclope adormecido. A palma de minha mão já não emitia brilho. E me escondi nos montes de palha que o Ciclope que matei usava para dormir. Seu corpo tombou diante da cama, felizmente. Eu apenas precisei fazer o corpo rolar até a palha, incrementando meu esconderijo.

Dali, eu conseguia observar a entrada da caverna. E, do lado de fora, realmente havia três figuras na forma humana. Olharam para o Ciclope morto, que aparentava estar dormindo. E adentraram. Minha respiração ofegava.

O que aconteceu depois disso, meu amigo, eu contarei no cair da próxima noite. Por ora, descansemos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 62

- ...talvez você esteja exagerando... - Olhe Grazi nos olhos. Mas ela passou por mim, como se o grupo ainda estivesse com ela. Ficamos de costas um para o outro.
- E o que você acha que foi aquilo, então?
- Eu não sei... talvez seja só um mal-entendido.
- Não! Não foi isso! - a voz de Grazi se alterava. - Deixe-me chamar pelo nome dele no vento.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 61

Nossa viagem até Carlin durou mais tempo do que esperávamos. Assim que pusemos os pés em Carlin, o Sol se pôs e as casas já estavam exibindo suas iluminações internas pelas frestas das janelas. Ocupávamos a rua em seis: Andrezinho, Biertrus, Bryan, Milla, Scott e eu. "Finalmente em Carlin" - pensei. E logo tomei a palavra:

[B.W.] - Guerreiros, é hora de decidirmos o que fazer.
[Mi] - Quais são seus planos, mestre?
[B.W.] - Preciso ressuscitar minha amiga...
[And.] - Precisamos!
[S.S.] - Eu também irei.
[Mi] - Eu tenho uns assuntos pendentes com Bryan. Além disso, preciso passar em casa.
[Bry] - Mas não deixe de nos contar seus próximos planos assim que encontrar com sua amiga. Estou certo de que você vai conseguir, mago Bierum.
[Btr] - E eu vou deixá-los. Vou aproveitar pra caçar alguma coisa. E volto a Venore assim que amanhecer.
[B.W.] - Certo. Agradeço a todos vocês por terem me ajudado. Prometo retribuir. E agora, precisamos ir.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 60

O navio fantasma

Resumindo o resto de nossa jornada no Deserto de Darashia, reencontramos Milla e Bryan no pé da Montanha. Fomos ao centro de Darashia, onde compramos comida para a viagem de volta. Arrumamos nossas coisas na hospedaria e pretendemos acordar cedo para retornar ao velho continente. Ainda à noite, tentei ressuscitar Grazi com uma vela no templo de Darashia. O monge de lá me advertiu de que isso seria inútil. Concluímos que deveríamos voltar a Carlin o quanto antes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As Crônicas Tibianas - Cap. 59

Nas profundezas da caverna Wyvern

Embora cansados, aproveitamos a noite para seguir em peregrinação, já que o calor do deserto seria insuportável durante a tarde. Fazia uma noite fria, a areia desértica conduz muito facilmente as temperaturas dos céus. Sam Scott acendeu a palma de sua mão e foi nos guiando. Eu estava, desta vez, preocupado com Grazi. No entanto, Biertrus estava conosco, e eu não poderia perder a oportunidade de conversar com ele.