quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Principe do Setubal Pricipe


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A Avenida Conde da Boa Vista é o sol de Recife, o centro do caos da cidade e era lá onde eu esperava assim como centenas de Recifenses o ônibus para a minha última jornada épica do dia: a busca por minha cama e uma noite tranquila de sono sem interrupções. O trabalho foi agitado. Como sempre, a cozinha na sua urgência frenética e calor exaustivo me deixou as marcas já muito comuns, o cheiro de óleo no cabelo e o rosto quente, ruborizado, contrariando o frio da  noite chuvosa típica de agosto.

A parada estava lotada, e avisto o Setúbal Príncipe, o motorista ignora meu aceno passa direto, ao ver tal ação um homem se levanta, pede parada, o ônibus para abruptamente.
Corro para alcançá-lo e noto que o homem se colocou com um pé no degrau e outro na calçada, o motorista xingava sua ousadia. Debaixo daquela sinfonia irônica que eu teria tocado se não fosse esse cavalheiro bondoso. Entro sorrindo ironicamente, caminho pelo corredor e avisto a única cadeira livre, a cadeira dele, do príncipe que acabara de salvar minha noite de descanso.


Eu o conhecia... bem, não exatamente... Sabia seu nome, onde estudava e trabalhava, que estava solteiro, era romântico, gostava de ler Bukoswki no ônibus, e odiava o emprego de meio período, mas ele nunca havia conversado comigo, enquanto eu apenas o achava interessante... E ele não precisava saber disso.

Ele não caminhou de volta a cadeira o que interpretei como mais um ato de gentileza do meu príncipe do Setúbal Príncipe. Sorri... Quantas vezes se imagina um príncipe chegando em um ônibus?! Bem, a realidade tem suas ironias encantadoras. Me sentei na cadeira ainda quente, e para minha surpresa ele se aproximou e disse as primeiras palavras voltadas para mim naqueles 3 meses:
- Como o motorista pode ser tão cruel com uma garota como você?

Pensei no quanto queria ouvir elogios daquela boca e queria ouvir bem mais, mas o "como você" chamou a curiosidade, e a curiosidade tem a mania de me trair.
- "Como eu?!"- perguntei, afinal, que diabos aquilo significava?

 - Você sabe como os motoristas dessa cidade são, se você é uma mulher bonita, sempre param, não interessa o quanto está fora da parada, já vi um parar para uma moça com o sinal prestes a abrir. Às vezes, acredito que sendo uma mulher tudo fica mais fácil.- disse ele com ar de cansaço.

- Às vezes acredito que sendo um homem tudo fica mais fácil. - Falo mais para mim do que qualquer outra coisa.

- Então deveríamos trocar de corpo?! - disse com um sorriso brincalhão.

- Eu não, vai saber o que você é capaz de fazer usando o meu...- falei fingindo repulsa, sua expressão mudou para um rosto sério que realçava o rosto de ângulos bem definidos e seus olhos de um castanho escuro brilhante.

- Não esperava isso, não tive intenção de...

- Você acha que falaria mesmo isso de forma séria a um cara que acabou de salvar minha noite de sono?! - disse sorrindo, meio sem graça por ser mal interpretada, um sorriso travesso surge em seus lábios, me olha com uma intensidade que durante aqueles meses perdidos em apenas observá-lo sem ter a coragem necessária de lhe chamar atenção pensei não ser possível.

- Acho que você me interpretou mal, porque tudo o que menos quero é que você durma essa noite.- disse de forma firme e direta.

- Não esperava por isso. Acho que você me confundiu com outro tipo de mulher. - disse chateada. Não podia acreditar que ele era um idiota machista, não o "meu príncipe do Setúbal Príncipe".

- Sei exatamente que tipo de mulher você é. Uma mulher esforçada, independente e que sabe muito bem o que quer, madura a ponto de não se limitar ao que é socialmente aceito, e buscar sem pudores sua felicidade.

- Cara, eu nem te conheço!

- Conhece sim, pegamos o mesmo ônibus há uns 3 meses, sei que chamei sua atenção, você também chamou a minha, então qual o problema? Esta noite só quero ser o homem que não vai acordar sozinho de manhã.

E foi assim que numa noite qualquer de agosto não fui parar na minha cama, fui levada a loucura pelo meu príncipe da realidade moderna.

(Se gostarem  Continua...)

4 comentários:

  1. Respostas
    1. kkkkk Que seja feita vossa vontade Chefinho! :)

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  2. A Raíra está explorando o erotismo? Eu gostei. Colocou de uma maneira sutil e delicada. Coisa boa achar um romance fresquinho do forno por aqui.
    Beijos. ;)

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  3. Obrigado Deia! escrevo uma coisa ou outra de romance, mas sempre preferi outros gêneros mas esse é um que já algum tempo tinha vontade de escrever então num momento de poucas ideias me ocorreu que talvez pudessem gostar! :)

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