sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pricipe do Setubal Principe parte 2


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O vento frio tocava meu rosto, mas o corpo embaixo do meu o esquentava, dava conforto e trazia a preguiça típica de uma manhã chuvosa, meu corpo acompanhava o ritmo de sua respiração, embaixo de meu seio sentia o pulsar de seu coração enquanto adormecido ele sorria, o porque era um mistério e tão pouco me importava além do fato de que aquele sorriso me deixava feliz.
Meu corpo evitava o mínimo movimento, não queria perder aquele momento extingui-lo tão de repente, mas então aquele rosto audacioso e gentil que aproveitava a pouco mais de um mês abriu-se um largo sorriso.

- Nunca entendo sua mania de me observar dormindo, o que você vê nesse corpo exausto pelas provas e drinques?- disse finalmente abrindo os olhos.

- A mesma coisa que de alguma forma você enxerga no meu cabelo engordurado, nem sempre se pode entender o que os hormônios chamam de paixão.

-Não está um pouco cedo para declarações filosóficas?

- O que posso fazer se você sempre se torna poesia e divagação nos meus lábios? - disse enquanto ele me puxava mais para perto.

- Levanta o dia começou, e a vida pede muito mais do que divagações e a preguiça digna dos gatos.- disse alisando meu cabelo desgrenhado e caótico assim como o transito que já zumbia no asfalto.

- Hoje é sábado.

- Nem por isso a vida para, você sabe muito bem que tem o que fazer a vida chama.

- Vida solicito o direito de ter mais 10 minutos de preguiça com meu pretenso e fugitivo possível namorado.- digo com um sorriso sapeca, me aconchegando mais no travesseiro e lençóis.

-Fugitivo? Pretenso? Você me julga e condena assim que acordo?!

-Sim, depois de amanhã faz um mês.

-Depois de amanhã faz um mês que sou algo que ainda não consigo entender, vamos com calma.- disse afastando-me e se levantando, observo seu corpo nu se afastar para o banheiro.

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A cama não me permite largar o lençol e me rendo a ela, os dias e noites do nosso curto relacionamento circulando em minha mente... Ele tinha conseguido bem mais do que a companhia para uma note fria no final, e eu pretendia que contrariando tudo aquilo continuasse. Queria ser mais do que a garota do mês, de alguma forma sabia que seria, existiam muitas formas de amor e sexo, e o que tínhamos parecia ser a junção estranhamente perfeita dos dois... Também não eram menos interessantes nossas conversas e companhia fosse no que fosse, esperava contrariar meu próprio descarte como o produto ultrapassado que o capitalismo iria me tornar em algum tempo. Esperava poder ser consertada quando apresentasse falhas e amada não apenas pelo sentimento de nostalgia e saudade, mas vividamente, ardentemente, com a intensidade que consome a alma e o corpo.

Levantei-me vesti uma camisa dele que já havia se tornado praticamente minha a estampa da cara do Homer Simpson entre meus seios, fui a cozinha a sede chegou e como ele falou a vida chama. Abri a geladeira pensando no que poderia fazer para o café da manhã, quando ouvi os passos no corredor. Ela vestia uma camisa velha gigantesca que sei ser da época que Dante jogava basquete por um misero segundo senti uma pontada de ciume da garota alta com corpo atlético e madeixas ruivas naturais. Até que me lembrei que ela era a irmã dele.

- Por que você mora com seu irmão mesmo?- perguntei, curiosa não lembrava que houvessem falado sobre isso antes. Ainda era um tanto estranho topar com uma garota quase nua na casa do meu namorado.

- Por que a religião dos meus pais é protestar contra o que sou-  disse com um sorriso irônico mas um tanto amargo, como que para ilustrar o que falou Luíza entrou na cozinha lhe deu um abraço por trás beijou e mordiscou seu pescoço, e lhe falou algo no ouvido que fez com que Camila corasse.

- Ciúmes da minha irmã?- disse Dante da sala.

- Não, apenas tentando entender porque a segunda pessoa que vejo na manhã é minha cunhada quase pelada- disse num tom de riso.

- Quase cunhada, ainda não ti pedi em namoro.

- Você ainda não fez isso Dante?! O que está pensando? Vai deixar ela escapar? Se não quiser eu quero! - falou Camila me olhando de forma sacana.

- Ei e Luíza? - Disse Dante.

- Eu não sou nenhum pouco ciumenta- falou Luíza com um olhar mais malicioso do que o de Camila.

-É melhor eu tomar cuidado com você pelo visto!- disse Dante rindo.

O dia passou e fizemos tudo o que a vida nos chamou para fazer, a noite foi maravilhosa, e assim como ela as outras 8 noites que passei sem uma unica menção a namoro, não gosto de ficar, sempre gostei de tudo bem definido e aquela relação sem transparência me deixava insegura e chateada, conforme os dias passavam eu sentia cada vez mais que aquilo precisava mudar, já não me aguentava mais, e se continuasse daquela forma duvido que Dante me aguentasse.

Na oitava noite fiz algo que talvez não devesse.

-Te amo - falei no meio dos gemidos meus e dele. Ele nada falou, nem ao menos me olhou nos olhos. 
Apenas continuou e me beijou a boca, um beijo amargo, estranho, no meio de todos os doces e ardentes que trocávamos desde a primeira noite.

Quando terminamos sai de cima e me deitei ao seu lado ele apenas disse.

- Te pedi para ter calma, esperar que estivesse pronto...

- E já não esperei de mais?! Estamos juntos a quase dois meses, e não consigo ficar nessa de vai ou não vai Dante! Sou uma mulher de certezas não de incertezas! Você quer namorar comigo? Se não me fale logo que poupo meu tempo e o seu.

-As coisas não são bem assim...

-Logico que são! Se você disser que vamos só ficar e sem perspectiva de algo serio tudo bem, mas ficar nessa indecisão não dá! Sou assim posso confiar plenamente em você, ariscar minha cabeça por você mas apenas se me der certeza.

- Então é melhor você sair logo por aquela porta. Não vou admitir esse egoismo.

- Egoismo... - falei recolhendo minha roupa e me vestindo olhando o corpo dele nu na cama com a pretensão de nunca mais precisar ver nenhuma parte do que a alguns minutos me proporcionava a sensação oposta.


2 comentários:

  1. Um conto maduro, adulto, agradável. Muito bem, Raíra! Adorei! Vai continuar, né?

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  2. Sim, vou continuar Deia. Inclusive o final já está pronto

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