domingo, 8 de novembro de 2015

Mike (parte 1 de 3)



Se você quer saber sobre apostas, bem... eu sei tudo sobre apostas. Las Vegas é uma cidade ideal pra você! Máquinas de slots, Black Jack, dados... ah, como esquecer do Poker? A emoção de jogar... a emoção de ganhar! Sim, quando você ganha, o mundo inteiro aplaude.

Quer saber? Eu gosto muito mais de torrar uma grana nas grandes lutas de boxe! Essas sim! Movem uma grana que dobra qualquer agente do governo. Quanto você tem? 15 mil? 150 mil? 500 mil? Não importa! Tudo é pouco perto da quantidade de dinheiro que circula em torno do ringue.








No final dos anos 80, eu conheci Mike. Era negro, alto, forte. E era um prodígio no boxe. Socava rápido, se movia rápido, socava forte, tão forte que alguns treinadores diziam que seu soco era semelhante a um coice de um cavalo de corrida usando ferraduras.

E esse garoto me rendeu milhões. Não era difícil ganhar dinheiro com ele. Era inédito no circuito de lutadores de cassino, apostavam nas cartas que já conheciam, apostavam em campeões, em mais pesados... mas terminavam de bocas abertas, diante do favorito nocauteado. E Mike me rendendo cifras. Esse, sim, era o verdadeiro campeão.

Em 1990, quando um antigo grupo de milionários do qual eu não gostava apareceu e apostou em um outro campeão, resolvi dar um tapa de luva: apostei tudo que tinha em Mike, certo de que ele botaria qualquer campeão na lona antes do sexto assalto.

Essa luta, no entanto, não saiu como o planejado. Eu não havia reparado antes, mas Mike, às vezes acertava seus oponentes com um cotovelo, uma cabeçada, enfim, pequenos acidentes de decorrência de uma luta. Aquela noite era especial. Eu tinha que ganhar! Finalmente uma das “falhas” dele foram visíveis: Mike acertou seu adversário com o cotovelo em seu nariz. Até o juiz, que separou a luta, deu-lhe uma advertência pesada. Consegui ler seus lábios dizendo “Use os punhos! Não seja burro! Você só precisa usar os punhos!”

O gongo soou naquele sexto round e esse foi o grande azar de seu adversário (já com o nariz, suspeito eu, quebrado). Mike partiu pra cima daquele rapaz com uma avalanche de socos, em uma velocidade que desafia a física. Seus punhos revezavam os lados do rosto do adversário, que depois de levar um número incontável de socos por segundo, ajoelhou-se e recebeu um último soco com a direita de Mike.

Ali houve contagem, festa e silêncio. A comissão já estava contrariada em permitir que a luta continuasse, mas o pior ainda estava a vir: o adversário de Mike havia parado de respirar pouco antes do último soco. Enquanto discutia-se a legalidade da situação, os médicos já haviam levado o homem embora.

A comissão por fim decidiu não dar o prêmio a Mike. Tirou-lhe também a permissão para continuar lutando, além de declará-lo perdedor da luta pelo excesso de faltas.

Azar o meu. Meu cavalo de corrida não ia mais correr. Tanto eu quanto ele ficamos na pior.

(Fim da parte 1)

2 comentários:

  1. Esses dois tem que se dar mal! Não gostei nem do protagonista, nem do narrador.

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