terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bier e a Blitz

Precisamente ontem fez um ano que isso aqui aconteceu, e eu prometi aos meus amigos que ia fazer uma postagem detalhando o causo aqui no blog.


Naquela semana, os canais do Telecine estava aberto para os assinantes da (Oi, Claro, Vivo, Net TV?, eu não vou propagandear pra nenhum dos lados. Só se rolar uma graninha) TV paga...

Estava vendo um filme (Deadpool, que eu estava me devendo), e tinha acabado de assistir Dr. Estranho.  Mas a falta de sorte resolveu aparecer. No início do segundo filme, senti uma coceira na perna.






"Só uma coceira", eu pensei. Preferi me manter indiferente ao desconforto, porque eu não queria ficar me devendo mais uma vez o filme do Deadpool. (Eu não sabia que a Fox ia exibir esse filme mensalmente em 2018, não tinha nenhuma garantia de quando poderia vê-lo novamente.)

1h da noite, eu tava numa boa, então, repentinamente...  a coceira virou uma dor (não lancinante, mas) preocupante. Coloquei a mão na perna e senti: uma maldita lagarta perambulou pela minha calça e picou minha perna.


A partir dali, sim, comecei a ficar preocupado. Pelo sim, pelo não, resolvi ir até o hospital da cidade, a qual eu morei por apenas 8 meses. No entanto, a falta de experiência na cidade me fez errar o caminho. Eu errei a entrada, e continuei na via principal.


Xingando bastante (a mim mesmo), começo a procurar uma rua para que me permita fazer o retorno. Agora, era só achar uma entrada para a rua que me levaria ao hospital...

A sorte parecia sorrir pra mim: achei uma rua, mas exigia uma manobra que carinhosamente chamo de "John no arms". Assim que apontei o Biermóvel para a manobra, uma moto branca parou ao meu lado.

Meu coração começou a bater lentamente. Pensei em princípio que se tratava de um assalto. Esse pensamento foi interrompido pela sirene breve que o guarda municipal, montado na moto, disparou.


"Ufa, é um guarda de trânsito! O susto foi grande, mas tudo certo." - pensei, aliviado pela conta da lavanderia não acabar muito alta naquele mês... tá certo que o susto já tava dado. Mas eu estava só divagando. Voltando...


Educadamente, mas sem esconder a indignação, o oficial me pediu documentos. Depois disso, me perguntou sobre a manobra que eu estava prestes a fazer. No que eu tentei responder:
- Sabe, eu tô tentando chegar no hospital, porque fui picado por uma lagarta na perna, mas errei o caminho e estou tentando acessar a rua pra...
- Entendi. Olha, eu nem vou te multar pela manobra irregular, mas agora tu vai ter que ir comigo até o posto aqui da frente.

Olhei pra frente e vi, a cerca de 300 metros, "o posto" da "Operação Balada Segura". - Para quem não sabe, a Operação Balada Segura é uma força-tarefa que visa parar veículos nas noites dos fins de semana, para teste do bafômetro do motorista, conscientizando e, assim, reduzindo as chances de acontecer UMA ENORME MERDA na vida de quem bebe e dirige.

Aliás, se você é um desses caras... morra. O mundo não precisa desse tipo de idiota. Você só está colocando a vida dos outros em risco. É certo que a sua não vale nada, mas e o inocente que você matar?

Onde mesmo eu estava? Ah, sim! Olhei para o posto da OBS, e entendi porque o oficial estava tão indignado. Porque, vejamos pelo lado dele da situação:
  • Cabeludo;
  • Dirigindo na faixa da 01h00 da madrugada;
  • Cabelo molhado, provavelmente voltando de uma festa;
  • Apresentou a conversa mais absurda que pôde imaginar, envolvendo uma picada de inseto e precisar ir ao hospital;
  • Estava prestes a fazer uma manobra irregular;
  • Provavelmente estava tentando evitar o posto da Operação Balada Segura.

- Me acompanhe, por favor. - disse o oficial subindo na moto. - Basta me seguir. - Disse ele, como se eu não soubesse.

Assim que chegamos ao posto, havia duas filas. Uma era enorme, e estavam pessoas que pareciam mesmo ter saído de uma ou mais baladas. Um trio de moças, visivelmente cansadas... há que horas estão começando essas coisas? Era pouco mais de 1 da madrugada...

O oficial que me conduzia desceu da moto e correu até a tenda onde havia mais dois oficiais e a resultante das duas filas. Eu, descendo do Biermóvel, pedi pra ele ir devagar, ele disse sim, mas não reduziu o passo em nenhum momento. A dor na minha perna era mais forte naquele momento, mas eu não queria perder o oficial de vista (pra não piorar o meu caso, já que eu era suspeito de embriaguez), tive de mancar o mais rápido que pude. Na tenda, o oficial me olhou com um sorriso irônico: "Viu? Aqui não gostamos de correr..." E então me inseriu na fila menor.

Na minha fila, tinha dois homens na minha frente. Pareciam caminhoneiros, apesar de eu não ver caminhão. Um deles era alto, gordo, e barbudo. Me olhou de cima a baixo e se manteve sério.

Um outro oficial olhou para os 3 (me inclua aqui) e disse:
- Todos com Carteira na mão, vamos fazer isso aqui rápido. Tu aí! - apontou pra mim - Senta nessa cadeira aqui. - Sentei-me. - Já fez isso antes?
- Não.
- Tá nervoso?
- Não, senhor. Não tenho motivos pra isso.
- É bom... quem não deve não teme. Assopra isso aqui. - ordenou ele me entregando um bafômetro. Assoprei.
- Ih, cara... deu zero. Pode fazer de novo? - Disse ele, "recalibrando" o aparelho. Ou sei lá que carácolis ele fez.
- Tudo bem. - Eu disse e assoprei de novo.
- É. Almeida! Pode despachar esse aqui. - Não sei se era Almeida mesmo. Tava tarde, eu só queria acabar logo com aquilo.

O Almeida era o oficial que havia "me fisgado" na operação. Ele chegou pra mim e disse: - E a dor?
- Aumentou um pouquinho, mas tá tudo bem.
- Olha, daqui, você pega aquele retorno ali. Duzentos metros depois, pega a direita, que você acha a rua do hospital, tá certo?
- Muito obrigado.
- Eu vou voltar pro meu ponto, pode passar por ali na volta.
- Obrigado. Vou sim.


Depois de uma hora de espera no hospital, tudo certo. A dor foi só uma reação alérgica, muito comum, mas temporária, nada que uma pomada não resolvesse. Na volta dessa "aventura", também tudo certo, passei pelo "ponto" do Almeida. Mas já era mais de 2h da madrugada... a blitz me deu passagem livre na hora.

Cheguei em casa, e fui pra cama. Eu não bebo há muito tempo. Nunca tive o hábito de beber e dirigir e vocês devem ter percebido que não curto quem faz dessas, né?




Imagina se aquela conversa inicial que tive com o oficial, lá na abordagem fosse mais longe do que foi. Imagino ele falando "Coméquié? Tu espera que eu caia nessa de que tu tava em casa e saiu à essa hora da noite em busca de socorro???" - e as imagens da prisão aparecendo no Polícia 24h.

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