Atenção: O conto a seguir tem teores de choque com a realidade.
Esteja ciente de sua responsabilidade quando continuar lendo.
(16 anos)
O estômago se torcendo de fome foi a primeira coisa que sentiu, a segunda coisa foi o retorno da consciência antes de abrir os olhos, e era isso o que sua consciência lhe dizia:
"Sou Adriana, 16 anos, estou na minha cama, essa não é a minha casa, estou só, não vou cair."
Levantou-se e fez o que todos fazem ao se levantar: o café amargo tinha a mesma cor; o pão, o mesmo gosto; e o dia, as mesmas limitações. "Apenas mais um dia de mais uma formiga insignificante." pensou ela ao esperar o ônibus de sempre para sua vida de sempre.
Os olhos se fecharam por um momento do agora, sonhando com o que haviam lhe ensinado por toda a vida, o jogo da linda família sorridente de comercial de margarina lhe veio a mente: seu futuro marido lindo, gentil, carinhoso, que chegava do trabalho querendo apenas uma xícara de café o jantar e um beijo; tão perfeito e obsoleto. Logo despertou, ao lembrar o quanto a sua família quebrada era diferente daquilo: sua mãe dopada, com seus comprimidos anti-depressivos; seu pai assassinado em uma assalto, vitima de mais um lixo da sociedade; seu irmão preso por ter se tornado exatamente o que a sociedade queria fazer dele: um lixo, como o lixo que assassinou seu pai; e seus pulsos quase cicatrizados, lembrança constante de que não deveria cair novamente.

